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Newton Navarro é universal

Parte da exposição de Azol, na Pinacoteca do Estado [foto minha]

Já há algum tempo eu tentava me organizar para ver a exposição “O Sertão Virou Mar”, de Azol, que estava na Pinacoteca do Estado desde o final de maio. No último sábado, finalmente, aconteceu.

Além da exposição que mencionei acima, queria aproveitar a ida ao centro da cidade para fazer um pequeno tour com Nina pelo corredor cultural, já que a pequena está estudando sobre a História de Natal, na escola.

Algumas das obras que Azol estava expondo eram estritamente pintura e outras eram meio que fusões entre pintura e fotografia. No vídeo de apresentação da exposição, o artista explicava que os motivos e temas para as obras vieram de uma viagem que fez pelo interior do Rio Grande do Norte e de outros estados do Nordeste.

Mas não foi exatamente “O Sertão Virou Mar” que me causou uma forte impressão nessa ida ao Palácio Potengi. Além dessa mostra temporária, a Pinacoteca dispunha de duas exposições permanentes, um das quais com pinturas e esculturas de artistas norte-rio-grandenses. Saí daquela sala profundamente impactado com a obra exposta de Newton Navarro, que eu já conhecia de idas à própria Pinacoteca há vários anos, mas que dessa vez adquiriram um significado novo e forte.

Newton Navarro exposto na Pinacoteca do Estado [foto minha]

História da Arte, no Ensino Médio e na graduação em História foram, de maneira geral eurocêntricas demais e quando abordavam aspectos das artes plásticas brasileiras, não costumavam a ir muito além de breves apêndices sobre Tarsila do Amaral e Cândido Portinari, o que certamente contribuiu para a minha ignorância e/ou falta de curiosidade a respeito de outros artistas brasileiros e, também potiguares. Em relação à arte produzida no Rio Grande do Norte, além de me faltar repertório, eu tinha uma impressão ignorante e generalista de que o que se produzia por aqui não tinha qualidade suficiente para concorrer com o que era consagrado como nacional, fosse nas artes plásticas, música, teatro ou cinema.

Desde que comecei a me envolver com composição e produção musical, sobretudo após o início do SeuZé, em 2003, foi inevitável para mim pensar em como situar os projetos dos quais eu participava na discussão “artista nacional” x “artista local”. Esse era um debate bastante frequente na música naquele momento em que iniciativas como o Fora do Eixo e as dezenas de festivais independentes de música Brasil a fora, contribuíam para a descentralização dos olhares e ouvidos para o que estava sendo produzido no país.

Mas foi somente após assistir mas assídua e atentamente as montagens de grupos teatrais natalenses, especialmente dos Clowns de Shakespeare, que fui gradualmente me livrando desse complexo de viralata e construindo o entendimento de que não é necessário a validação de carimbo “nacional” para se atestar a qualidade de de expressões artísticas.

Essa última ida à Pinacoteca e, sobretudo, a força e personalidade da obra de Newton Navarro, fortaleceram ainda mais essa noção em mim.

Mais ouvidas em 2019

O show de Los Hermanos em João Pessoa, em abril desse ano, me fez revisitar a discografia da banda. O Bloco do Eu Sozinho continua como vinho, e com exceção de Tão Sozinho que parecem sobra do disco de estreia, é um trabalho atemporal.

Também gostei demais do disco solo de Teago Oliveira, do Maglore. Destaque para a pedrada Corações em Fúria.

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Desde 2016 venho listando aqui no blog as minhas estatísticas de músicas e discos ouvidor. Os anos anteriores ficaram assim: 201820172016.

Todos as estatísticas anuais estão reunidas aqui.

Mais ouvidas em 2017

A tentação de culpar Nina pelos resultados inesperados, é grande. Mas pode botar “De Nada” e “Se enamora” na minha conta.

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Desde 2016 venho listando aqui no blog as minhas estatísticas de músicas e discos ouvidos. No ano passado ficou assim: 2016.

Todos as estatísticas anuais estarão reunidas aqui.

Centenário

Estádio Centenário, Montevidéu. 30 de junho de 2017 [Foto minha]

Saímos mais tarde de casa do que eu gostaria. Por volta das 11h. Mas o nascer do sol tardio para os padrões natalenses e o frio matinal do inverno montevideano, justificam, em parte, nosso atraso.

Começamos o programa do dia com um passeio na orla da cidade, seguindo a famosa Rambla. Saímos de Punta Carretas em direção a Pocitos. Quem é acostumado com a orla de cidades nordestinas como Natal e especialmente Maceió, a “via costeira” de Montevidéu não impressiona. O fato de eu já ter conhecido o Rio da Prata em Buenos Aires e Colônia, também contribuiu para enfraquecer a impressão que tive da costa da cidade. De toda forma, fui impactado pelo casamento da paisagem natural com a arquitetura sessentista dos prédios da Rambla.

Talvez por se tratar de um dia de semana, senti a falta de mais pessoas caminhando ou se exercitando pelo calçadão daquela que parece ser uma das áreas mais nobres da capital uruguaia.

Continuamos caminhando até o letreiro da cidade, tal qual o que inauguraram recentemente em Natal, na Praia de Areia Preta. Pausa para fotos e vídeos de turista e decidimos voltar ao nosso ponto de origem, dessa vez caminhando por dentro do bairro de Pocitos. Em geral, achei a paisagem dessa área de Montevidéu bem parecida com Copacabana e outros bairros da Zona Sul carioca.

Um dos momentos mais legais desse dia de flanagem, foi chegar, por acaso numa feira de alimentos, de rua. Para quem tinha como referência as feiras natalenses, aquela uruguaia me encantou bastante. Fiquei surpreso com a aparência, tamanho e suposta qualidade dos vegetais expostos. Também não passaram despercebidos alguns trailers/caminhões que vendiam diversos tipos de queijos e embutidos.

Feira livre em Pocitos, Montevidéu. [Foto minha]

Mas um pouco de andança pela região e acabamos chegando no lugar que havíamos escolhido para almoçar: o restaurante Le Perdiz. Mais uma vez fomos em busca dos assados do Uruguai. Mais uma vez foi uma experiência ímpar degustar a carne do país. É impressionante como eles conseguem conciliar uma carne extremamente macia, limpa e no ponto certo. Não lembro se já abordei isso em textos anteriores sobre essa viagem, mas eu saí do Brasil com um certo receio dos preços dos restaurantes do Uruguai. Os blogs e demais fontes que consultei alertavam para esse fato. No fim, achei tudo meio compatível com o preço que se pratica em Natal. Considerando que estamos pagando cerca de R$ 50 por pessoa em churrascarias nobres da cidade é que gasto isso ou mais quando vou, por exemplo, ao Rachid’s, penso que está bem razoável.

Após o almoço, nos separamos em dois grupos e rumamos em direção ao Estádio Centenário. Mais uma vez achamos mais fácil tomar um Uber do que outras formas de transporte.

Provavelmente Montevidéu não precisa de um sistema de metrô. Os ônibus não aparentam andarem muito lotados e parecem chegar a praticamente toda a cidade, mas confesso que fiquei um pouco mal acostumado com as facilidades do metrô de Santiago.

A ideia de programação para o estádio-sede da Copa de 1930 era uma visitação ao Museo do Futebol. Assim foi feito. No geral, achei o museu bastante desorganizado. Não há uma lógica na disposição dos itens expostos. Não se sabe se estão organizados de maneira temática ou cronológica. Inclusive há a presença de uma série de objetos que não são diretamente ligados ao esporte bretão. É o caso de alguns cartazes de jogos olímpicos.

O segundo andar do museu tinha itens mais interessantes, como troféus e camisas de clubes e da seleção do país.

Mas a melhor parte da visita ao museu foi poder entrar e contemplar o estádio a partir da arquibancada. A minha ligação com o futebol, por si só, já seria suficiente para que uma ida ao Centenário me emocionasse de alguma forma. Mas, por razões desconhecidas, vim nutrindo ao longo da minha vida um tipo de admiração pelo futebol uruguaio. Até consigo listar alguns episódios esporádicos em que a mística da celeste e do futebol uruguaio como um todo me tocaram, como a final da Copa América de 1995, as oitavas de final da Copa de 1990 e a graça de ter sido pego de surpresa ao poder ver um jogo do Penharol, em Colônia, em janeiro de 2011.

Estar no Centenário, ainda que apenas na condição de visitante, trouxe-me uma emoção diferente. As condições gerais do estádio me surpreenderam positivamente. A impressão que construí nos últimos anos, ao assistir partidas e reportagens pela televisão, era a de que o estádio estava em condições de conservação piores do que as que de fato encontrei.

A vontade de assistir uma partida naquele templo do futebol tomou conta de mim tão logo deixei as arquibancadas. Passei tanto tempo deslumbrado que quase perdi a hora de mais uma etapa do tour: uma visita ao mirante daquele equipamento esportivo. Segundo a guia que acompanhou a mim e Marcia, aquele era o ponto mais alto da cidade para uma mirada em 360º.

Experiência interessante, ter uma impressão das cercanias do estádio de um ponto tão alto, mas o Centenário parecia imantado em relação aos meus olhos. Logo esqueci da paisagem mais ampla de Montevidéu e voltei minha atenção para o templo do futebol uruguaio.

Infelizmente, a lojinha do museu estava fechada quando eu e Márcia concluímos nossa visita, mas os últimos momentos no lugar foram suficientes para que os gentis funcionários, ao perceber meu deslumbramento, me informassem que o jogo do Nacional, que acontecerá amanhã – e eu imaginava que ocorreria em outro campo – será ali mesmo, no Centenário. Confirmei a informação na bilheteria, mas preciso descobrir onde posso comprar minha entrada, já que, por alguma razão, os ingressos não serão vendidos no palco do espetáculo.

Após deixar o museu, demos uma volta no mesmo parque em que já estávamos. Como de praxe, havia muitos brinquedos de criança e Nina se fez. Num dado momento foi interessante ver Nina interagindo com uma garotinha montevideana com idade semelhante a dela. Mais uma vez fomos bem recebidos por locais da cidade. O pai da nova colega de Nina foi bastante gentil e nos ajudou bastante ao indicar o local correto para pegarmos o ônibus que nos levaria de volta a Punta Carretas.

Dia para ficar na memória.

Carnaval em Natal, Alceu e Uber

Ontem fui ao show de Alceu Valença, pela programação do Carnaval de Natal. Tentei me programar para ir à apresentação de Moraes Moreira na sexta, mas a preguiça bateu mais alto.

Como tenho feito nos últimos anos, mais um show que eu ainda não tinha visto riscado da lista. A banda de Alceu parecia boa, mas o som não ajudava.

Muito bom ver o Carnaval de Natal ganhando fôlego e poder observar as ruas cheias de pessoas. No geral, estou gostando da organização do festejo. Desde a preocupação com o uso de garrafas de vidro pelos foliões, até a pontualidade no horário de saída dos blocos e dos shows.

Bacana seria ver esse tipo de iniciativa da prefeitura ao longo do ano: atrair as pessoas para ocuparem as ruas em diferentes circunstâncias. Todos os projetos que tem essa premissa funcionam, por menor esforço que se demande da iniciativa pública. A ocupação da Via Costeira aos domingos e o Eco Praça são exemplo disso.

Tanto no sábado, quanto ontem, optamos por deixar o carro em casa e ir de Uber. Não podíamos ter tomado decisão melhor. A sensação de liberdade por não ter que ficar se preocupando com estacionamento e em ter um motorista da rodada compensa de longe os trocados que desembolsamos pelo transporte.

Feliz 2017

Mais um início de ano em Tabatinga. Há bastante tempo não consigo ficar muito numa casa de praia sem que a vontade de voltar para a cidade (e ter os mimos tecnológicos por perto) apareça. Por outro lado, poucos são os momentos do ano em que consigo clarear a mente e pensar na vida com mais calma.

Feliz 2017!