Do que eu falo quando eu falo de corrida

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Mais um Murakami para a conta

Acabo de ler O incolor Tsukuru Tazaki e os seus anos de peregrinação, de Haruki Murakami e mais uma vez uma obra do escritor japonês me deixa em estado reflexivo. Pelos registros que mantenho no meu Goodreads, esse é o sétimo livro que leio do autor. Antes, passei por Do que eu falo quando eu falo de corrida, 1Q84, Kafka à Beira Mar, Norwegian Wood, O elefante desaparece, e Romancista como vocação.

Algumas temáticas recorrentes nos títulos que eu já havia lido reparecem nesse “Incolor Tsukuru”, mas não chegam a desabonar a obra para mim. Muitas referências a comida, exercícios físicos e música, muita música. Mais uma vez a música assume um papel central no texto de Murakami, como um personagem que ajuda a dar sentido à narrativa. De alguma forma, a maneira como o japonês se utiliza da música me faz lembrar alguns filmes da Nouvelle Vague francesa, em especial Um Homem, Uma Mulher, em que Claude Lelouch explora execuções musicais de uma forma que me tocou bastante.

Pela primeira vez, senti algum incômodo com o estilo de narrativa do autor. Não sei se deixei passar batido na leituras anteriores, ou se é realmente uma questão específica do livro que acabei de ler, mas percebi uma adjetivação exagerada nas descrições de cenários e personagens, recurso que, na minha opinião, tolhe do leitor a possibilidade de concluir por si só alguns aspectos da narrativa, bem como de criar seus próprios julgamentos sobre características de personagens.

Mas, sem dúvidas, um aspecto que sempre me chama a atenção nos escritos desse romancista nipônico, é o viés de disciplina que sempre emerge de alguns de seus personagens. A natação quase sagrada de Tsukuru, a dedicação de Preta no trato com a cerâmica. Sempre que me deparo com esse elemento tão ressaltado da cultura oriental, tenho a vontade de trabalhar um pouco mais a disciplina na minha rotina. Seja em busca de uma alimentação mais saudável ou de uma rotina de atividades físicas mais regulares, seja na organização da minha vidaprofissional.

Mais uma vez, os personagens de Haruki Murakami trazem pra mim esse insigth da disciplina.

Finalizo esse texto na indecisão sobre que livro começarei a ler na sequência. Estavam nos meus planos iniciar a trilogia biográfica de Getúlio Vargas, concluir O fim do homem soviético, que é gigante, mas já avancei para além da metade, mas devo começar outro ainda não lido de Murakami.

Enquanto isso, vou aqui no Irachai do Midway pegar alguns sushis e sashimis para o almoço.