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Enfim 2018

A gente tenta fugir do clichês, mas alguns deles nos engolem.

O ano no Brasil só começa após o Carnaval. O efeito psicológico que a festa momesca ao servir como marco para início efetivo do ano é impressionante. Especialmente para mim, cujas férias sempre acontece, em janeiro. Quando o Carnaval ocorre no começo de fevereiro, a sensação fica ainda mais forte.

Ontem, quarta-feira de cinzas, foi dia de fica em casa. Passei a manha use toda no computador, lendo coisas relacionadas a produtividade, incluindo referências e casos de pessoas anônimas que usam esse Day One para manter um diário. Passei um bom tempo desligado de conteúdo escrito sobre tecnologia, aplicativos. Mas uma certa inércia provocada após refletir sobre o meu uso de rede sociais me levou a algumas escolhas.

Saí de uma série de grupos de Whatsapp, apaguei o aplicativo do Facebook do meu telefone (acabei de fazer o mesmo em relação ao iPad do qual escrevo), e deixei de seguir uma série de perfis no Twitter e Instagram. Tudo seguindo a máxima de usar o meu tempo de uma forma mais proveitosa e de tentar amenizar a ansiedade que o uso dessas formas do conexão trazem.

Venho refletindo bastante sobre a passividade no consumo de conteúdo que o Facebook e similares incitam. Sinto falta de um tempo não muito distante em que o meu uso da internet era mais proativo, sem depender do que o algoritmo das redes sociais azuis me sugerem.
Seja lendo e participando de fóruns como o Making Off, ou visitando os próprios sites produtores de conteúdo, tenho uma certa saudade de como a internet funcionava para mim antes do estabelecimento do Facebook, em especial.

Na busca por mais autonomia sobre o meu consumo digital, me vi voltando a utilizar o a Feedly, seguindo novos conteúdos ou retomando alguns antigos dos quais já fui fiel leitor. Mesmo considerando que devo realmente reduzir minha presença nas redes sociais, preciso ter cuidado para não me abarrotar com um feed cheio de noticiais não tão significativas, que acabariam me privando daqueles conteúdos que eu já havia decidido priorizar em 2018: livros e filmes.

Ainda não engrenei em nenhuma leitura nesse ano. Recomecei a ler o “Sapiens” em janeiro, mas o livro ainda não me fisgou. Vou tentar como estratégia manter duas leituras simultâneas: um livro de ficção e outro de não-ficção. O obstáculo que vim colocando para mim mesmo nas últimas semanas é que precisava encontrar a leitura ideal no Lelivros ou comprar algo novo na Amazon. Mas não posso me enganar. Minha estante e Kindle estão cheios de coisas esperando a minha atenção.

Pela praticidade, dessa vez vou priorizar o e-reader e começar hoje mesmo o último de Murakami que pus do leitor.

Rita Lee por ela mesma

Há alguns dias comecei a ler a autobiografia de Rita Lee.

Assim que o lançamento do livro foi noticiado, fiquei curioso para ver o que a ex-mutante tinha para dizer sobre a sua história de vida. Como bom fã daquela que muitos consideram a maior banda de rock brasileira da história, me interessa em especial o que a artista poderia falar sobre a sua passagem pelos Mutantes.

Passei a me interessar pela banda paulista quando ainda estava na UFRN e durante a produção do primeiro disco do SeuZé. Li a biografia de Carlos Calado e ouvi bastante os primeiros discos do grupo. Também fiquei viciado durante muito tempo no Lóki, de Arnaldo.

Rita, porém, se vale de um certo desdém para rememorar seus momentos na banda. Compreensível até certo ponto dada a relação conturbada que ela assumiu ter com Arnaldo Baptista e pela maneira como foi enxotada da dos Mutantes. Contudo, é interessante para se questionar se esse status cult que a banda desfruta não foi construído a posteriori, depois de nomes como Kurt Cobai, Sean Lennon e David Byrne declararem sua admiração ao trio.

O estilo de escrita informal de Rita, sem preocupação com a construção de uma narrativa fluída e que dê alguma liga aos diversos “micro-capítulos” do livro, me incomodam um pouco e comprometem a fluidez da leitura em certos pontos. Por outro lado, dá um caráter mais confessional e crível às situações descritas e é um sopro interessante de autenticidade, num mercado de autobiografias repleto de co-autores e, mais grave, ghost-writers. (Ano passado li a autobiografia de Dado Villa-Lobbo, produzida em coautoria com um escritor de ofício cujo nome não recordo, e senti falta de uma pegada mais pessoal no texto).

Mais uma vez estou lendo no Kindle e a minha relação com o reader e os e-books se torna ainda mais natural. Livros digitais – desde que não sejam técnicos e não tenham muitas imagens que influenciem a leitura – têm sido a minha primeira opção de compra.