Posts in "Mobilidade urbana"

Desde que chegamos a Sevilha e vimos o Sevici, eu e Márcia estávamos na espera de uma chance de explorar a cidade em bicicletas. Hoje conseguimos. Saímos de Macarena, bairro onde estamos hospedados, e fomos até Triana, no outro lado do Rio Guadalquivir.

Viagem Colômbia 2024 - Dia 13


Museu do Ouro

Ontem foi o nosso primeiro dia completo aqui em Bogotá e eu, Nina e Márcia optamos por explorar o centro da cidade, com o objetivo principal de conhecer o Museu do Ouro.

O equipamento cultural está no mesmo nível dos grandes museus de metrópoles europeias e norteamericana, mas com um acervo muito particular já antecipado pelo próprio nome da instituição e constituído de milhares de exemplares de objetos oriundos da ourivesaria e metalurgia da América pré-hispânica - sobretudo colombiana e/ou andina.


Entorno do museu

Após algumas horas no museu, já perto do fim da tarde, resolvemos caminhar pelo entorno e acabamos chegando num quarteirão do Centro da cidade que abriga dezenas de livrarias e sebos, muitos dos quais especializados em conteúdo jurídico.


Museu de Arte Moderna de Bogotá

Seguimos andando a pés em direção ao apartamento onde estamos hospedados e acabamos chegando por acaso ao Parque de la Independência, que abriga o MAMBO, o Museu de Arte Moderna de Bogotá. Pelo avançar da hora, adicionamos adicionamos aquele equipamento cultural à lista de lugares a conhecer por aqui e tentaremos voltar nos próximos dias.

Primeiras impressões sobre o transporte em Bogotá

A despeito de a população da capital colombiana beirar os 8 milhões de habitantes, a cidade não dispõe de metrô. O transporte coletivo bogotano é baseado num amplo sistema de ônibus e BRTs e ontem tivemos a primeira experiência.

O apartamento onde estamos hospedados fica a cerca 200 m de uma estação de e usamos o sistema na ida e na volta do nosso deslocamento até o Centro. Pelo que deu para entender, as avenidas maiores funcionam como corredores para os BRTs. Outros ônibus de menor porte circulam por ruas menores. Todas as linhas e tempo de espera são acessíveis por um aplicativo específico da administração pública bem como através do Google Maps. Apesar disso foi um pouco complicado para nós descobrir sozinhos em que porta da estação cada ônibus parava, mas havia muitos funcionários com a informação na ponta da língua e muito solícitos.

Ainda sobre os BRTs, a área utilizada pelos veículos e aquela destinada às estações, deve ocupar pelo menos 3 faixas da via pública, o que denota o grau de prioridade que o sistema de transporte coletivo tem aqui em Bogotá. Lembro do burburinho que aconteceu em Natal quando, há uns 10 anos, começou a se implantar na cidade corredores exclusivos para ônibus em vias como a Salgado Filho, Prudente de Morais e Hermes da Fonseca.

Algumas estatísticas do dia:

  • Temperatura mínima: 10º
  • Temperatura máxima: 21º
  • Passos dados: 15809
  • Distância percorrida caminhando: 10,6 km

Tentei registrar as algumas das minhas impressões sobre essa viagem à Colômbia numa espécie de diário público. Segue o que escrevi nos dias anteriores: dia 12, dia 11, dia 10, dia 09, dia 08, dia 07.2, dia 07, dia 06, dia 05, dia 04, dia 03, dia 02, dia 01.

Todos esses pequenos relatos estão reunidos nessa página.

Diários de Bicicleta

Nunca tive muita oportunidade para ouvir o Talking Head. Conheço há algum tempo as mais famosas da banda, como Psyco Killer e só.

Durante muito tempo David Byrne também passou despercebido por mim. Foi só com os lançamentos de Tom Zé e Mutantes no exterior, feitos por ele, e através das constantes citações feitas por Caetano ao artista escocês, que passei a nutrir uma certa curiosidade pelo seu trabalho.

Mas eis que o meu debute na obra do líder dos “Cabeças Pensantes” não se deu através de discos, mas de um livro.

Tenho usado um Kindle há quase dois anos e a Amazon me enviou como sugestão de livro “Diários de Bicicleta”, cuja sinopse despertou em mim uma grande curiosidade, mas, à época, suficiente apenas para adicioná-lo à minha lista de desejos. Eis que em janeiro desse ano, com uma viagem de férias marcada para Santiago, enquanto buscava opções de leitura para levar comigo, voltei ao referido livro e decidi baixá-lo no meu e-reader. Que grata surpresa!

Byrne usa bicicletas como principal meio de transporte desde os anos 1970, portanto bem antes de algumas cidades europeias hoje notabilizadas pelo esforço em desenvolver essa forma de mobilidade se destacarem. Ele faz questão de afirmar que não é um ativista da causa, mas os relatos apresentados no livro o contradizem. Tanto nos EUA, quanto na Europa, e mesmo na América do Sul (onde a discussão ainda engatinha, com exceção de algumas poucas cidades com Santiago e Bogotá) o escocês é frequentemente convidado a participar de congressos e outros eventos que estimulam o debate em torno da bicicleta como meio de transporte eficiente.

O título do livro é sugestivo, mas incapaz de resumir o seu conteúdo. Cada capítulo trata da experiência do autor em alguma cidade específica, seja em turnês com o Talking Head, em carreira solo ou em outros compromissos profissionais. Mas, muito mais do que uma mera descrição da sua experiência ao andar de bicicleta em cada um desses lugares (ele costuma consigo levar uma bike dobrável a cada viagem), David Byrne acaba fazendo uma discussão interessante e mais ampla sobre mobilidade urbana.

Não há como não remeter às recentes intervenções feitas em algumas cidades brasileiras, especialmente naquelas que sediaram partidas da Copa do Mundo. Desapropriações escandalosas e imorais; construção de novas pistas e viadutos com foco exclusivo na melhoria da mobilidade de automóveis e a completa indiferença quanto a um planejamento ao longo prazo do transporte coletivo e o amadurecimento de outras formas de transporte individual como a bicicleta.

A prefeitura de Natal até esboçou um projeto de criação de ciclovias e ciclofaixas na cidade, mas pecou em diversos pontos. Os espaços demarcados para trânsito de bicicletas são isolados, desintegrados do sistema de ônibus e das ínfimas linhas de trem. Além disso faltou um projeto de educação voltado para os motoristas de ônibus e carros, pedestres e para os próprios ciclistas sobre o uso dessas ruas agora compartilhadas.

De toda forma, pelo contato com o livro de Byrne e pela experiência em Santiago, no início do ano, aumenta por aqui a vontade de explorar mais as possibilidades do uso de bicicletas como meio de transporte.