Sobre a falta de informações técnicas nos serviços de streaming

Hoje me considero bastante adaptado aos serviços de streaming como principal plataforma para ouvir música. Ainda que por puro fetichismo e apego sentimental eu ainda guarde alguns poucos CDs, e há pouco mais de 10 anos tenha ensaiado voltar a recorrer a LPs, realmente desapeguei das mídias físicas.

Mesmo assim sinto falta de um aspecto que costumava integrar os encartes dos discos, tanto digitais quanto analógicos: a ficha técnica das gravações.

Se à medida que fui formando o meu gosto musical, as letras contidas nos álbuns me eram indispensáveis, os créditos dos envolvidos na produção dos discos foram cada vez mais me interessando, sobretudo ao passo que eu começava a dar os meus primeiros passos na composição e na produção musical. Desde o Festival do Desconcerto, lançado em 2005 pelo SeuZé, faço questão de registrar e divulgar cada mínimo detalhe da produção dos discos em que estou envolvido: quem tocou cada instrumento em cada faixa, por exemplo.

Detalhe da ficha técnica do disco A Comédia Humana, lançado pelo SeuZé, em 2010

Salvo um eventual saudosismo por discos de vinil ou vontades repentinas de ter toda a discografia de Caetano em CDs, estou bastante acostumado e satisfeito com a praticidade e custo-benefício do Spotify e Apple Music, serviços entre os quais costumo revezar. Outro aspecto que me prende ainda mais aos streamings de música é a integração com o Last.fm, essa maravilha da Internet que resiste bravamente, e que me permite praticar a obsessão em metrificar o que ouço ao longo do tempo. É como ter acesso à função “mais ouvidos” que o Spotify disponibiliza em dezembro, a qualquer momento e sem se restringir ao filtro do último ano.

Faixas e discos mais ouvidos por esse que escreve, nos últimos 180 dias, segundo o Last.fm

Entretanto, realmente sinto falta de que os serviços de streaming de música sejam mais ativos em solicitar essas informações das empresas que distribuem as obras dos artistas em suas plataformas. E não falo apenas do detalhamento dos intérpretes e instrumentistas que atuaram em determinado single ou disco, mas também de dados sobre os responsáveis pela gravação, mixagem e masterização de cada fonograma. Gostaria muito de poder fazer com a música que ouço, o que já faço a um tempo com os livros e filmes que consumo.

O Letterboxd, por exemplo, espécie de rede social dedicada ao cinema e serviço de compartilhamento de críticas sobre filmes, organiza o seu catálogo de uma forma que todos os envolvidos na produção de uma película têm os seus nomes clicáveis no aplicativo, com a possibilidade de se ver tudo em que já trabalharam. Dessa forma, ao assistir um filme específico cujos trabalhos de direção ou direção de fotografia me chamaram a atenção, por exemplo, posso facilmente acessar a filmografia dessas pessoas e descobrir com relativa facilidade como continuar explorando as suas obras.

Na falta de funcionalidades semelhantes no Spotify e similares, ou mesmo de aplicativos dedicados para esse fim, alguns livros acabam cumprindo essa função para mim.

Recentemente li Lado C: a trajetória de Caetano Veloso até a reinvenção com a bandaCê e foi através do excelente trabalho de pesquisa de Luiz Felipe Carneiro e Tito Guedes, que tive informações organizadas para explorar a carreira de Pedro Sá – que acompanhou Caetano como guitarrista e produtor nos discos Cê, Zii & Zie e Abraçaço – enquanto instrumentista e produtor musical.

O site Discos do Brasil é uma excelente iniciativa nesse sentido, mas depois de me acostumar com as funcionalidades do Letterboxd, faz muito sentido para mim poder acessar essas informações de créditos dos fonogramas diretamente no serviço de streaming que uso.

Aguardo ansioso para poder explorar, de forma descomplicada e com obsessão, as discografias – não apenas de compositores e intérpretes – mas também de técnicos de mixagem, masterização e produtores musicais.

Newton Navarro é universal

Parte da exposição de Azol, na Pinacoteca do Estado [foto minha]

Já há algum tempo eu tentava me organizar para ver a exposição “O Sertão Virou Mar”, de Azol, que estava na Pinacoteca do Estado desde o final de maio. No último sábado, finalmente, aconteceu.

Além da exposição que mencionei acima, queria aproveitar a ida ao centro da cidade para fazer um pequeno tour com Nina pelo corredor cultural, já que a pequena está estudando sobre a História de Natal, na escola.

Algumas das obras que Azol estava expondo eram estritamente pintura e outras eram meio que fusões entre pintura e fotografia. No vídeo de apresentação da exposição, o artista explicava que os motivos e temas para as obras vieram de uma viagem que fez pelo interior do Rio Grande do Norte e de outros estados do Nordeste.

Mas não foi exatamente “O Sertão Virou Mar” que me causou uma forte impressão nessa ida ao Palácio Potengi. Além dessa mostra temporária, a Pinacoteca dispunha de duas exposições permanentes, um das quais com pinturas e esculturas de artistas norte-rio-grandenses. Saí daquela sala profundamente impactado com a obra exposta de Newton Navarro, que eu já conhecia de idas à própria Pinacoteca há vários anos, mas que dessa vez adquiriram um significado novo e forte.

Newton Navarro exposto na Pinacoteca do Estado [foto minha]

História da Arte, no Ensino Médio e na graduação em História foram, de maneira geral eurocêntricas demais e quando abordavam aspectos das artes plásticas brasileiras, não costumavam a ir muito além de breves apêndices sobre Tarsila do Amaral e Cândido Portinari, o que certamente contribuiu para a minha ignorância e/ou falta de curiosidade a respeito de outros artistas brasileiros e, também potiguares. Em relação à arte produzida no Rio Grande do Norte, além de me faltar repertório, eu tinha uma impressão ignorante e generalista de que o que se produzia por aqui não tinha qualidade suficiente para concorrer com o que era consagrado como nacional, fosse nas artes plásticas, música, teatro ou cinema.

Desde que comecei a me envolver com composição e produção musical, sobretudo após o início do SeuZé, em 2003, foi inevitável para mim pensar em como situar os projetos dos quais eu participava na discussão “artista nacional” x “artista local”. Esse era um debate bastante frequente na música naquele momento em que iniciativas como o Fora do Eixo e as dezenas de festivais independentes de música Brasil a fora, contribuíam para a descentralização dos olhares e ouvidos para o que estava sendo produzido no país.

Mas foi somente após assistir mas assídua e atentamente as montagens de grupos teatrais natalenses, especialmente dos Clowns de Shakespeare, que fui gradualmente me livrando desse complexo de viralata e construindo o entendimento de que não é necessário a validação de carimbo “nacional” para se atestar a qualidade de de expressões artísticas.

Essa última ida à Pinacoteca e, sobretudo, a força e personalidade da obra de Newton Navarro, fortaleceram ainda mais essa noção em mim.

Lacunas, gosto e produção musical em casa

Gravando as baterias do disco do Forasteiro Só, em 2014

Desde o início dos anos 2000 venho lidando com diferentes versões da ideia de gravar as minhas composições em casa. Inicialmente o impulso era de registrar com alguma qualidade os esboços de canções para posteriormente apresentar aos meus companheiros de banda. Na sequência foi ganhando fôlego a possibilidade de produzir demos para as bandas em que tocava à epoca, inicialmente o República 5 e, mais à frente, o SeuZé. A ideia era viabilizar registros para inscrever as bandas em festivais como o MADA e o saudoso Pop Rock Tropical.

Se a memória não estiver me traindo, creio que o evento motivador desse desejo de produzir em casa veio após ouvir uma demo do Brigitte Béreu que havia sido gravado por Marlos Ápyus, na sua casa. Eu era um admirador da banda e aquele registro doméstico causou um grande impacto em mim, pelo contéudo e pela forma.

Mas, somente em 2008, quando comprei uma placa de som e um microfone condensador, é que comecei a pôr em a ideia em prática. Algumas das músicas que entraram n’A Comédia Humana, foram pré-produzidas no meu então quarto, na casa dos meus pais. Um pouco mais à frente, em 2013, sobretudo após conhecer o Recording Revolution, passei a considerar a possibilidade não apenas de produzir esboços e demos, mas de gravar discos na íntegra, em casa.

Em seu blog e canal de Youtube, Graham Cochrane defendia a ideia de que com a redução de custos de equipamentos e softwares de produção musical e o aumento na qualidade até mesmo das ferramentas mais acessíveis, não havia razões para que músicos e compositores não se dedicassem a gravar os seus próprios materiais.

O contato com dois discos gravados em casa por compositores que admiro profundamente – Supérflua, de Luiz Gadelha e Canções de Apartamento, de Cícero – acendeu outra fagulha: no segundo semestre de 2014 criei um novo projeto, o Forasteiro Só, e decidi gravar as canções que deram forma ao disco de estreia da banda, no home estúdio que montei em meu quarto, no apartamento em que morava na época.

Gravando vocal no closet. 06 de setembro de 2014 (Foto minha)

Quando comecei a produção desse disco, eu tinha segurança suficiente para dar conta da etapa de gravação dos instrumentos e vocais, mas hesitava sobre a minha capacidade de assumir a mixagem/masterização do disco. Ainda que eu tivesse estudado um bocado sobre mixagem, não tinha botado a mão na massa o suficiente e era refém da possibilidade de que o resultado final dessa produção não atingisse a qualidade média dos discos lançados por outros compositores e bandas independentes, ou que soasse amador a ponto de não convencer curadorias de festivais a considerar o projeto para a suas programações.

Essa é uma questão com a qual estou lidando novamente nas últimas semanas. Tenho uma série de ideias de composições inacabadas e pretendo trabalhar nesse material e lançar alguns singles, ou mesmo um EP (daí a retomada desse blog). Estou decidido a gravar tudo no meu home estúdio, mas ainda hesito bastante em assumir a mixagem, justamente pelo receio de o resultado final acabar por não fazer jus às composições ou ao padrão de mixagem que o meu gosto aprendeu a identificar como o mínimo aceitável. 

Somente recentemente passei a compreender melhor o papel implacável de censor que o nosso gosto exerce sobre o processo criativo. Através do Boa Noite Internet, de Cris Dias, cheguei a esse vídeo em que Ira Glass usa o termo lacuna (gap, no original) para sintetizar e lançar luz sobre essa questão. Abaixo uma tradução livre/adaptação da ideia que o criador do This American Life aborda no vídeo.

Ninguém fala isso para quem é iniciante. Gostaria que alguém me contasse. Todos nós que fazemos trabalho criativo, fazemos isso porque temos bom gosto, mas existe essa lacuna. Nos primeiros anos em que você faz coisas, não é tão bom assim. Tenta ser bom, tem potencial, mas não é. E o seu gosto, a única coisa que o colocou no jogo, ainda é matador. O seu gosto é o motivo pelo qual seu trabalho o decepciona. Muitas pessoas nunca passam dessa fase, elas desistem.

A maioria das pessoas que conheço que fazem trabalhos criativos e interessantes passaram anos nisso. Sabemos que nosso trabalho não tem essa coisa especial que queremos. E se você está apenas começando ou ainda está nessa fase, você tem que saber que é normal, e o mais importante que você pode fazer é trabalhar muito. 

É só passando por um volume de trabalho que você vai preencher essa lacuna, e seu trabalho será tão bom quanto suas ambições. E demorei mais para descobrir como fazer isso do que qualquer pessoa que já conheci. Isso vai demorar um pouco. É normal demorar um pouco. Você apenas tem que lutar para abrir caminho.

A capa de cinismo que visto, ainda que inconscientemente, me levou inicialmente a minimizar a ideia defendida por Ira Glass, a enquadrando  genericamente como autoajuda e inutilmente evitando identificação com a mesma. Entretanto, a cada dia tenho me convencido mais da abordagem do nosso gosto e referências como responsáveis por censurar o nosso trabalho criativo.

Ter isso em mente me parece importante nesse momento em que estou prestes a imergir na tarefa de materializar em canções lançadas ideias soltas e outros esboços mais encaminhados de composição.

Volte aqui e/ou assine a newsletter para descobrir com lidarei com esse mestre da censura disfarçado de gosto.  

 

Perto de casa e um pouco longe de mim

No último fim de semana participei de uma programação que há muito queria ter feito: um passeio de um dia com amigos, até Ceará-Mirim. Na realidade eu já havia feito algo semelhante em 2019, com Márcia e Nina. Naquela ocasião, a intenção era proporcionar à pequena a experiência do deslocamento de trem, além de conhecer o Centro Histórico daquela cidade.

Centro de Ceará-Mirim, 30 de janeiro de 2019. [Foto minha]

Àquela época, tanto o transporte ferroviário quanto ter conhecido lugares como o Mercado Público foram experiências marcantes que deixaram uma vontade de voltar com amigos e explorar outros lugares que não conheci nessa primeira oportunidade, sobretudo os antigos engenhos de açúcar.

Finalmente, no último sábado, mais tranquilos com a redução de casos de covid-19, eu, Márcia, Nina e alguns amigos seguimos rumo à cidade vizinha.

Contratamos Francisco, o barão, guia com o qual eu já tinha contato na minha atividade de professor, e às 9h10 embarcamos na Estação da Ribeira, no trem rumo a Ceará-Mirim. O clima nublado e chuva forte que se anunciaram nas primeiras horas do dia não passaram de ameaça e no fim contribuíram para fazer dos deslocamentos mais aprazíveis.

Uma das coisas que mais tinha me agradado em minha primeira ida ao destino foi a observação de Natal sob pontos de vista que eu ainda não tinha experimentado, daquela vez proporcionados pelo deslocamento de trem. Uma pena que dessa vez as janelas dos vagões estivessem cobertas por uma propaganda do Governo Federal, o que impossibilitou a contemplação da paisagem durante o deslocamento.

Após a chegada no nosso destino, percorremos algumas ruas do Centro, com foco nos antigos casarões e na igreja católica. Mas foi a segunda parte do roteiro – a exploração dos antigos engenhos – o momento mais gratificante do dia. Mesmo que alguns em ruínas, eu desconhecia que tão próximo a Natal havia tantos resquícios arquitetônicos do passado imperial brasileiro. Francisco, o guia, tinha um domínio considerável sobre as relações pessoais e familiares locais, o que ajudava a dar um contexto ao atual estado dos prédios que visitamos.

Um dos momentos mais bacanas do passeio foi a visita ao antigo Museu Nilo Pereira, equipamento que se encontra desativado desde 2006 e que, ainda estando bastante maltratado, se impõe  pela imponência como exemplo de arquitetura imperial. Recentemente foi anunciado que a Fundação José Augusto elaboraria um plano para recuperação do prédio, o que obviamente dependeria da reeleição de Fátima para o governo estadual. De toda forma, também pela localização entre o centro de Ceará-Mirim e os antigos engenhos, ter esse museu ativo e funcional seria fundamental para reforçar o roteiro daquelo destino, tanto como opção de atividade educacional, como atividade turística.

Museu Nilo Pereira, 26 de março de 2022. [Foto minha]

Mas o principal aspecto que ficou dessa experiência foi constatar mais uma vez que não é necessário uma viagem longa para fora de Natal ou do país, para desfrutar do estado de espírito que normalmente me encontro ao passar algum tempo longe de casa, convivendo em situações que de alguma forma diferem do meu cotidiano, como estar submetido a idiomas, comidas e climas diferentes. No geral, essas pequenas imersões em outras realidades me poem num estado de curiosidade que normalmente resultam em estímulo para o trabalho artístico/criativo.

Foi o que aconteceu quando estive em Buenos Aires pela última vez, em 2019. A estada de quase duas semanas na capital argentina me encheu de pequenas ideias para letras de música que, mesmo ainda não terem se transformado em canção, pelo menos viraram material de referência para futuras composições, hoje habitando no aplicativo de notas que uso como catálogo para esses lampejos de palavras e esboços de melodia (pretendo escrever em breve sobre como estruturo esse sistema).

De alguma forma experimentei um sentimento semelhante nesse passeio de um dia pela cidade vizinha à minha. Nesse contexto de Real ainda bem desvalorizado e de achatamento salarial dos docentes da Rede Municipal de Ensino de Natal, promovido pelo pesadelo de prefeito que Natal tem, e na impossibilidade de deslocamentos mais frequentes para lugares mais distantes, essas pequenas fugas para lugares próximos ou simplesmente para fora da rotina, podem cumprir bem o papel de distração positiva para a cuca.   

 

Livros lidos em 2021

Em 2021, Murakami ainda continuou no radar das minhas leituras, mas também houve espaço para finalmente conhecer os livros de Nick Hornby, sobre os quais eu sabia de algo através de adataptações para o cinema, entre outras boas descobertas. Nesse ano também maratonei os livros e site de Austin Kleon. Mantendo a tradição, segue a relação de livros lidos ao longo do ano, com alguns comentários sobre os títulos que mais me chamaram a atenção:

Febre de Bola
Nick Hornby

Nick Hornby é o autor de Alta Fidelidade, livro que deu origem ao filme homônimo protagonizado por John Cusack. Em Febre de Bola, o escritor faz um apanhado de relatos baseados na sua relação com o futebol, especialmente dos jogos do Arsenal que assistiu ao longo da vida. O autor destaca em vários momentos que foi através do futebol e de idas a diferentes estádios, que o seu relacionamento com o próprio pai se consolidou. Hoje menos, mas frequento estádios de futebol com e graças ao meu pai, desde o início dos anos 1990. O foco que o livro deu a essa relação entre pai e filho permeada pelo ludopédio exerceu um impacto profundo sobre mim.

Alta Fidelidade
Nick Hornby

À medida que fui avançando e me reconhecendo em “Febre de Bola”, fui buscar mais informações sobre Nick Hornby e descobri que ele também era responsável por Alta Fidelidade, livro que deu origem ao filme de mesmo nome, pelo qual sou aficionado.

Roube como um artista: 10 dicas sobre criatividade
Austin Kleon

Entrar numa livraria nos dias de hoje possibilita facilmente perceber o impacto da mentalidade coach no mercado editorial. Títulos como “A Arte Sutil de ligar o Foda-se” e semelhantes ocupam posições de destaque nas lojas físicas. Durante um tempo, quando eu via ROUBE COMO UM ARTISTA exposto na Livraria Leitura do Natal Shopping, pensava tratar-se de mais um desses livros. Após sugestão de Cris Dias, em algum Braincast, decidi dar um chance e me surpreendi positivamente com Austin Kleon. O livro traz reflexões e ideias interessantes para quem lida com trabalhos artísticos/criativos. Gostei tanto que hoje sou um leitor assíduo do blog e da newsletter do autor, que, para mim, são dois dos lugares mais legais da Internet nos dias atuais.

Mostre seu trabalho: 10 maneiras de compartilhar sua criatividade e ser descoberto
Austin Kleon

Publicado após Roube como um artista, Mostre seu trabalho tem um título sugestivo. No livro, entre outras coisas, Austin Kleon destaca a importância de se ter uma identidade digital desvinculada das grandes redes sociais e de ser dono do seu próprio conteúdo on-line. Ele dá muito destaque para o papel que o seu blog e newsletter têm na construção e fidelização de audiência, mas também que funcionam como um laboratório público para ideias e esboços.

Siga em frente: 10 maneiras da manter a criatividade nos bons e maus momentos
Austin Kleon

Livro mais recente de Kleon, Siga em frente me chamou atenção pelas referências que lista sobre trabalho criativo/artístico. Cheguei, por exemplo, a trabalhos interessantes como O Caminho do artista, de Julia Cameron.

O caminho do artista
Julia Cameron

Se houvesse uma vertente da Terapia Cognitivo-Comportamental para artistas, Julia Cameron certamente seria uma das suas responsáveis. Em O Caminho do Artista, a escritora, que também é roteirista e professora, aponta caminhos para aqueles que estejam lidando com algum tipo de bloqueio criativo. Embora em alguns momentos o livro tenda a focar exageradamente em aspectos místicos/espirituais, Julia Cameron traz uns exercícios legais como as páginas matinais.

O sabor do arquivo
Arlete Farge

Cheguei a O Sabor do Arquivo por recomendação do algoritmo da Amazon. Arlete Farge é uma historiadora francesa e, nesse livro escreve sobre a importância dos arquivos para a pesquisa histórica, baseando-se, sobretudo em uma das suas próprias pesquisas em documentos do Século XVIII, na França. Bateu uma saudade gigante do meu tempo pesquisa na Biblioteca Nacional, em jornais e outros periódicos dos primeiros anos do Século XX.

O segredo da Dinamarca
Helen Russell

Esse chegou a mim após Márcia ficar com o meu Kindle para ler algo que estava no meu dispositivo, e eu acabar com o e-reader dela. A autora narra a experiência de morar na Dinamarca após o seu marido ser transferido para aquele país, em função do seu cargo na LEGO. Tive contato com o livro num momento do ano em que os sentimentos de isolamento e clausura resultantes da pandemia estavam bem presentes. Naquele momento, as únicas possibilidades de viagem se deram pelo cinema, séries de TV e literatura. Visitar a Dinamarca pelo ponto de vista desse casal inglês foi uma experiência bem bacana.

O Projeto Rosie
Graeme Simsion

Pessoas Normais
Sally Rooney

Hábitos Atômicos
James Clear

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Desde 2016 venho listando as minhas leituras anuais. Veja que livros foram lidos por aqui em anos anteriores: 2020, 2019, 2018, 2017, 2016.

Todos esses compilados anuais estão reunidos aqui.

Mais ouvidas em 2021

Estatísticas geradas pelo rewind.musicorumapp.com, a partir de dados do Last.fm

Nina mais uma vez moldando o meu ranking, vide o tema de Gravity Falls. Por outro lado, esse Now United aí tem dedo meu: Nobody Like Us esteve no meu repeat deliberadamente. =P

Já Billie Eilish entra na minha conta mesmo. Que disco da porra é o When We All Fall Asleep, Where Do We Go?!

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Desde 2016 venho listando aqui no blog as minhas estatísticas de músicas e discos ouvidor. Os anos anteriores ficaram assim: 20202019201820172016.

Todos as estatísticas anuais estão reunidas aqui.

Livros lidos em 2020

Mantendo a tradição por aqui, segue a relação de livros lidos ao longo do ano, com alguns comentários sobre os títulos que mais me chamaram a atenção.

10% mais feliz
Dan Harris

Esse é o tipo caso de “não julgue pela capa”. Nesse ano, como muita gente que enfrentou o isolamento e outros dilemas decorrentes da pandemia, lidei com situações de transtorno de ansiedade e ataque de pânico. Sem demorar muito, busquei ajuda na psicoterapia e na psiquiatria e já estou significativamente melhor, mas não sem antes ficar obcecado por vídeos e livros que abordassem a questão e me ajudassem a entender objetivamente o que são essas condições. Dan Harris é um repórter nacionalmente conhecido nos EUA pelo seu trabalho no Good Morning America, e começa esse livro narrando um ataque de pânico que teve ao vivo, em rede nacional. Ao longo do texto o autor vai desmistificando o tema, enfatizando sempre que o seu ponto de vista inicial para as soluções que ele aponta como eficientes era de ceticismo. 10% feliz foi uma grata descoberta e sem dúvidas me ajudou decisivamente a encontrar um caminho de compreensão e convivência com a ansiedade.

Querida Konbini
Sayaka Murata

Há pelo menos 4 anos estou bem obcecado pelos livros de Murakami, a ponto de ter lido pouca coisa diferente da obra do escritor japonês. Aliando o incômodo com a falta de diversidade nas minhas leituras à curiosidade por outras histórias ambientadas no Japão e o desejo de aumentar a presença de autoras femininas entre as minhas leituras, decidi buscar conhecer escritoras japonesas contemporâneas. Foi como cheguei a Sayaka Murata e o seu Querida Kombini, que focaliza a protagonista Keiko Furukura, dessituada por, entre outras questões, aos 36 continuar no mesmo trabalho da juventude e ainda não ter se encaminhado na vida. Uma grata surpresa que me levou motivou a continuar na busca por outras autoras do país de Murakami.

Quinquilharias Nakano
Hiromi Kawakami

Práticas inovadoras na formação de professores
Marli André

No início desse ano, após trabalhar com docência por 11 anos ininterruptos, saí de sala de aula para trabalhar na formação continuada docente em História, na Secretaria Municipal de Educação de Natal. Hora de buscar referências para o novo trabalho.

Homens sem mulheres
Haruki Murakami

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Desde 2016 venho listando as minhas leituras anuais. Veja que livros foram lidos por aqui em anos anteriores: 2019, 2018, 2017, 2016.

Todos esses compilados anuais estão reunidos aqui.

Mais ouvidas em 2020

Em 2020 Jorge Drexler monopolizou as minhas audições. Cheguei ao disco Salvavidas de Hielo após ver o show do uruguaio no Tiny Desk Concert da NPR, e não ouvi outra coisa por muito tempo. Também gostei bastante da trilha de The Eddy, que teve alguns episódios dirigidos por Damien Chazelle e redescobri o V, do Legião Urbana.

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Bicicleta e Steven Gerrard

Hoje acordei consideravelmente bem após alguns dias lidando com uma forte ansiedade. Levantei disposto para organizar as minhas contas e saí para dar um passeio de bicicleta, coisa que desde o início do isolamento eu vim protelando.

Foi um exercício excelente ter saído para pedalar. A princípio a minha ideia era dar algumas voltas pelos quarteirões mais próximos aqui de casa, mas durante o percurso decidi ir até Ponta Negra, mas especificamente até a praça do disco voador. No caminho, perto da minha antiga morada na Rua Praia de Simbaúma encontrei Tiago, amigo de infância. Ele estava com uma banquinha na praça vendendo macaxeira e feijão verde. O cumprimentei da bicicleta e combinei de passar lá algum dia.

Ontem à noite consegui dormir bem. Estava com a musculatura dos braços e ombros muito tensa e fiquei com receio de ter dificuldades para pegar no sono. Pouco antes de me entregar aos braços de Morfeu, assisti Make Us Dream, um documentário sobre a trajetória de Gerrard no Liverpool. Achei bem mediano. Acredito que os documentários sobre Michael Jordan e o Sunderland, que assisti recentemente subiram bastante a minha régua e fui com uma expectativa relativamente alta.

No geral, achei o filme mal escrito e mal montado. O material à disposição era riquíssimo. Muitas imagens da infância e adolescência de Steven G, sem falar nos registros mais recentes. Mas o documentário constrói uma narrativa muito frouxa sobre a vida do jogador. Basicamente uma ponte entre a final da Champions, em 2005 e o escorregão no jogo contra o Chelsea, mais à frente, que viria a comprometer o título da Premier League. Foi bacana ter acesso a informações de bastidores até então desconhecidas por mim, como o fato de ele ter estado prestes a se transferir do Liverpool para o Chelsea.

Livros lidos em 2019

Esse foi mais um ano de leituras monopolizado por Haruki Murakami. Mais uma vez, mantendo a tradição por aqui, segue a relação de livros lidos ao longo do ano, com alguns comentários sobre os títulos que mais me chamaram a atenção.

D. Pedro I (Coleção Perfis Brasileiros)
Isabel Lustosa

Da coleção “perfis brasileiros” eu já tinha lido a biografia de D. Pedro II escrita por José Murilo de Carvalho. Num momento em que muitas publicações sobre personalidades históricas tendem a focar em aspectos pitorescos dos biografados ou em outros com apelos mais populares como os detalhes dos relacionamentos do próprio D. Pedro I enfocados em “Titília e o Demonão: Cartas Inéditas De D. Pedro I À Marquesa De Santos“, é reconfortante ter acesso a um texto como o de Isabel Lustosa, que alia rigor acadêmico a uma linguagem mais descompromissada e, também importante, dá contexto a certos estereótipos que o senso comum foi erigindo sobre o filho de D. João VI e Carlota Joaquina.

Romancista como vocação
Haruki Murakami

Em “Do que eu falo quando falo quando falo de corrida” eu já tinha apreendido aspectos importantes sobre o método de trabalho de Murakami, sobretudo a relação que ele estabelece entre a escrita e a prática da corrida. Mas em “Romancista como vocação”, o autor japonês vai além ao apresentar desde o processo em que se reconheceu como escritor, até detalhes como o fato de no início da carreira, ao buscar um estilo de escrita mais objetivo, ter escrito alguns textos originalmente em inglês – língua para a qual o seu vocabulário era obviamente mais reduzido – e só então traduzi-los para o japonês.

O grande fora da lei: a origem do GTA
David Kushner

A despeito do título, que sugere o foco no GTA enquanto fenômeno, o livro de David Kushner acaba apresentando um ensaio bastante competente que analisa a ascensão do videogame como mídia, ao longo da década de 1990, e a reação de setores mais conservadores da sociedade estadunidense ao próprio GTA e a outros jogos semelhantes. Achei muito bem fundamentada a contextualização do cenário em que os videogames foram alçados à condição de bode expiatório para questões complexas daquele país como a violência resultante do acesso descomplicado a armas de fogo, e sobretudo as possíveis consequências para crianças e adolescentes do uso indiscriminado daquela forma de entretenimento.

O elefante desaparece
Haruki Murakami

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Desde 2016 venho listando as minhas leituras anuais. Veja que livros foram lidos por aqui em anos anteriores: 2018, 2017, 2016.

Todos esses compilados anuais estão reunidos aqui.