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Carne e Osso

Desde que comecei a escrever sobre composição neste Música em Versão Beta, ainda não tinha conseguido concretizar uma ideia em música. Já tenho uma parceria bem encaminhada com Ticiano D’Amore, mas que ainda carece que eu dê a atenção que ela merece. Hoje, finalmente consegui avançar bastante numa composição.

A melodia e harmonia eu tinha feito há umas duas semanas e hoje decidi sentar e só levantar quando conseguisse encaminhar algo. Por aqui é assim: 90% transpiração e 10% inspiração. Falta pouco para terminar a letra, mas já dei nome: “Carne e Osso".

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Terminei agora o livro de memórias de Dado Villa-Lobos. Leitura recomendadíssima até para quem não é fã da Legião Urbana. Além de passagens curiosas sobre os bastidores da banda, informações riquíssimas sobre o funcionamento do mercado musical nos anos 80 e 90.

Quando penso que perdi o Cascadura tocando o Bogary aqui em Natal, em algum Festival DoSol…

Discos como atalhos

Entre 2008 e 2010 estive envolvido no meu mestrado em História. Na pesquisa que eu desenvolvi, tentei entender as mudanças na relações sociais decorrentes da introdução dos primeiros aparelhos reprodutores de música (fonógrafos e gramofones), no Rio de Janeiro, na primeiras décadas do Século XX. A fase em que eu tive mais dificuldade de concentração e foco foi durante a revisão bibliográfica. Eu precisava fazer leituras e tomar notas de praticamente tudo o que já havia sido escrito sobre a minha temática. O volume de leituras que já era grande, tornava-se enorme quando se juntava aos textos das disciplinas que eu estava cursando.

Diante da sobrecarga, cheguei perto de cair na tentação de me apropriar das ideias de comentadores. Explico. Não parecia muito mais cômodo e pratico do que ler tudo o que Mário de Andrade escreveu sobre música, repetir o que outros autores já concluíram sobre o modernista? Alguns chamam isso de plágio, outros de atalho intelectual. Resisti por pouco.

Lembrei dessa situação quando estava ouvindo hoje um compositor norueguês não muito conhecido no Brasil: Sondre Lerche. Conheci o escandinavo há uns 10 anos, a partir da indicação do amigo Ricardo Vilar. À época, acompanhávamos alguns blogs de download de música e costumávamos compartilhar com o outro o que achávamos interessante. A partir de então, passei a acompanhar tudo o que o músico lançou.

Depois de alguns meses sem fazer, ouvi novamente o disco “Two Way Monologue”, que junto de “Duper Sessions“, integra o meu top 2 do compositor.

Engraçado como a cada audição um disco nos revela coisas diferentes. Hoje, constatei que o Two Way Monologue é uma espécie de atalho musical, por conter referências bem digeridas a muita coisa boa da música pop anglo-americana dos anos 1960 para cá. Lá você encontra ecos de Beach Boys (arranjos de cordas e vocais que remetem ao Pet Sounds), Beatles, Dylan, tudo numa roupagem moderna e sem soar pastiche.

Essa é uma das grandes habilidades de composição e arranjo que eu ainda estou perseguindo: processar bem as referências e apresentar algo diferente a partir delas.

Ao longo dessa semana - a de debute desse blog - venho trabalhando numa parceria com Ticiano D’amore, que desde os primeiros esboços tem elementos de Bossa Nova, tanto na harmonia, quanto na rítmica. Estou satisfeito demais com a letra que Ticiano iniciou e com a melodia que estamos construindo, mas ainda não consegui pensar numa estrutura que fuja do clichê de bossa.

Vou deixar o disco do Sondre Lerche no meu player de música mais algum tempo para ver encontro o atalho certo.

Ficou curioso sobre o álbum que comentei? Compartilho agora:

Dança Diferente

Em 2010 o Maglore veio a Natal dentro de uma tour que estavam fazendo pelo Nordeste. O SeuZé participou do show, que aconteceu no Cultura Clube e foi produzido por Thalys. Fiquei encantado com a banda, de primeira. Primeiro pelo senso pop apuradíssimo e pelo bom gosto para as composições e arranjos. Depois pelo profissionalismo e envolvimento que eles demonstravam no trato com a banda.

Nessa época o SeuZé estava lançando o 2º disco (A Comédia Humana) e também fizemos uma tour bem bacana para divulgar o CD, que passou por Fortaleza, João Pessoa, Campina Grande, Recife, Maceió e Rio de Janeiro. Bom momento!

Acabei de ouvir mais um single do novo disco do Maglore e me encho de alegria ao ver que eles continuam produzindo coisa fina e que [Teago Oliveira] está se consolidando como um dos melhores compositores da nova música brasileira.

Não percam tempo. Apertem o play!

Escrevi a letra de “Homem e o Brasão” inspirado numa crônica de Carlos Fialho e nas tiradas do saudoso perfil de Twitter Gadelha Júnior.

Segue o áudio e a letra para quem ainda não conhecia. O SeuZé lançou como single em 2013, e no EP “Gente Estranha”, nesse ano.

O Homem e o Brasão (Letra e Música: Lipe Tavares)

Nunca percebi que sou vendido em latas

Marcas que sempre uso são como fardas Hollister, a minha escola Valeu, Major

E se minha geração adora um bom brasão Logo vou imitar não posso ser diferente Dizer de quem sou parente é o que há

Você vai ver meu rosto aparecer no Bobflash

e reconhecer que não sou mais que um sobrenome

Se antes eu ía ao Vila Fumar Gudang e arrumar brigas

Hoje após o Carnaval começo a puxar ferros eu quero mesmo é ficar belo pro Carnatal

se meu pai emprestar um bom 4x4 o chão do Litoral Sul Irá tremer

Você vai ver meu rosto aparecer no Bobflash

e reconhecer que não sou mais que um sobrenome

POST: 2015-05-31T11:22:24-03:00

Uma das maiores descobertas que fiz desde que comecei a usar internet foi um fórum de cinema, o Making Off. Além de ter um acervo monstruoso de coisas para baixar, tem ótimos tópicos de discussão.

Foi através desse fórum que eu pude dissecar a obra de gênios como Kurosawa, Kieślowski, o cinema argentino contemporâneo, entre outros. Também pude conhecer muitas pérolas escondidas, como os filmes de Lindsay Anderson, que fez algumas películas com Malcolm McDowell (Alex, de Laranja Mecânica).

Um desses filmes foi “O Lucky Man”, de 1973.

O filme por si só é fantástico. McDowell deu show na atuação e os toques de surrealismo no roteiro deram uma graça a mais à produção.

Mas o que me chamou mesmo a atenção foi a trilha sonora, que não é só pano de fundo para as filmagens, mas está inserida na trama do filme.

Fiquei extasiado após ver esse filme há alguns anos e, pesquisando sobre a trilha, descobri que o responsável foi Alan Price (tecladista do Animals e um dos primeiros a usar um hammond em música pop).

Resumo da ópera: tenho ouvido muito o disco da trilha desde que vi o filme e esse é o presente de domingo que deixo para você.

=)

Estou experimentando gravar uns vídeos direto do meu telefone.

O primeiro teste é um cover singelo de Jealous Guy, de Lennon.

Se Elis fosse viva hoje faria 70 anos. Pra mim um dos grandes discos da música brasileira em todos os tempos é “Falso Brilhante”, de 1976. Sempre me impressionei com esse disco.

Recentemente descobri que ela gravou tudo do álbum em dois dias, no meio de uma turnê.

A pimentinha era foda!

A chatice indie/hipster dos últimos tempos tem levado muita gente a contrair Síndrome da Carne de Vaca e encarar com má vontade muita coisa louvável na música brasileira, simplesmente por ser pop.

É óbvio que escolhi o exemplo menos pop do Skank para ilustrar a minha ideia, mas esse é um dos meus discos nacionais favoritos da década passada.

Samuel Rosa inspiradíssimo e cantando demais, parcerias com Lô Borges e Nando Reis, além do saudoso Tom Capone na produção.

Deixe a pose hipster de lado e aperte o play.

Músicas para o disco de estréia do Forasteiro Só fechadas. Hoje o ensaio foi só com Telo. Semana que vem ele gravará as baterias.

Se tudo seguir o programado, no fim de setembro a bolacha fica pronta.