Quando penso que perdi o Cascadura tocando o Bogary aqui em Natal, em algum Festival DoSol…
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Discos como atalhos
Entre 2008 e 2010 estive envolvido no meu mestrado em História. Na pesquisa que eu desenvolvi, tentei entender as mudanças na relações sociais decorrentes da introdução dos primeiros aparelhos reprodutores de música (fonógrafos e gramofones), no Rio de Janeiro, na primeiras décadas do Século XX. A fase em que eu tive mais dificuldade de concentração e foco foi durante a revisão bibliográfica. Eu precisava fazer leituras e tomar notas de praticamente tudo o que já havia sido escrito sobre a minha temática. O volume de leituras que já era grande, tornava-se enorme quando se juntava aos textos das disciplinas que eu estava cursando.
Diante da sobrecarga, cheguei perto de cair na tentação de me apropriar das ideias de comentadores. Explico. Não parecia muito mais cômodo e pratico do que ler tudo o que Mário de Andrade escreveu sobre música, repetir o que outros autores já concluíram sobre o modernista? Alguns chamam isso de plágio, outros de atalho intelectual. Resisti por pouco.
Lembrei dessa situação quando estava ouvindo hoje um compositor norueguês não muito conhecido no Brasil: Sondre Lerche. Conheci o escandinavo há uns 10 anos, a partir da indicação do amigo Ricardo Vilar. À época, acompanhávamos alguns blogs de download de música e costumávamos compartilhar com o outro o que achávamos interessante. A partir de então, passei a acompanhar tudo o que o músico lançou.
Depois de alguns meses sem fazer, ouvi novamente o disco “Two Way Monologue”, que junto de “Duper Sessions“, integra o meu top 2 do compositor.
Engraçado como a cada audição um disco nos revela coisas diferentes. Hoje, constatei que o Two Way Monologue é uma espécie de atalho musical, por conter referências bem digeridas a muita coisa boa da música pop anglo-americana dos anos 1960 para cá. Lá você encontra ecos de Beach Boys (arranjos de cordas e vocais que remetem ao Pet Sounds), Beatles, Dylan, tudo numa roupagem moderna e sem soar pastiche.
Essa é uma das grandes habilidades de composição e arranjo que eu ainda estou perseguindo: processar bem as referências e apresentar algo diferente a partir delas.
Ao longo dessa semana - a de debute desse blog - venho trabalhando numa parceria com Ticiano D’amore, que desde os primeiros esboços tem elementos de Bossa Nova, tanto na harmonia, quanto na rítmica. Estou satisfeito demais com a letra que Ticiano iniciou e com a melodia que estamos construindo, mas ainda não consegui pensar numa estrutura que fuja do clichê de bossa.
Vou deixar o disco do Sondre Lerche no meu player de música mais algum tempo para ver encontro o atalho certo.
Ficou curioso sobre o álbum que comentei? Compartilho agora:
Dança Diferente
Em 2010 o Maglore veio a Natal dentro de uma tour que estavam fazendo pelo Nordeste. O SeuZé participou do show, que aconteceu no Cultura Clube e foi produzido por Thalys. Fiquei encantado com a banda, de primeira. Primeiro pelo senso pop apuradíssimo e pelo bom gosto para as composições e arranjos. Depois pelo profissionalismo e envolvimento que eles demonstravam no trato com a banda.
Nessa época o SeuZé estava lançando o 2º disco (A Comédia Humana) e também fizemos uma tour bem bacana para divulgar o CD, que passou por Fortaleza, João Pessoa, Campina Grande, Recife, Maceió e Rio de Janeiro. Bom momento!
Acabei de ouvir mais um single do novo disco do Maglore e me encho de alegria ao ver que eles continuam produzindo coisa fina e que [Teago Oliveira] está se consolidando como um dos melhores compositores da nova música brasileira.
Não percam tempo. Apertem o play!
Escrevi a letra de “Homem e o Brasão” inspirado numa crônica de Carlos Fialho e nas tiradas do saudoso perfil de Twitter Gadelha Júnior.
Segue o áudio e a letra para quem ainda não conhecia. O SeuZé lançou como single em 2013, e no EP “Gente Estranha”, nesse ano.
O Homem e o Brasão (Letra e Música: Lipe Tavares)
Nunca percebi que sou vendido em latas
Marcas que sempre uso são como fardas Hollister, a minha escola Valeu, Major
E se minha geração adora um bom brasão Logo vou imitar não posso ser diferente Dizer de quem sou parente é o que há
Você vai ver meu rosto aparecer no Bobflash
e reconhecer que não sou mais que um sobrenome
Se antes eu ía ao Vila Fumar Gudang e arrumar brigas
Hoje após o Carnaval começo a puxar ferros eu quero mesmo é ficar belo pro Carnatal
se meu pai emprestar um bom 4x4 o chão do Litoral Sul Irá tremer
Você vai ver meu rosto aparecer no Bobflash
e reconhecer que não sou mais que um sobrenome
POST: 2015-05-31T11:22:24-03:00
Uma das maiores descobertas que fiz desde que comecei a usar internet foi um fórum de cinema, o Making Off. Além de ter um acervo monstruoso de coisas para baixar, tem ótimos tópicos de discussão.
Foi através desse fórum que eu pude dissecar a obra de gênios como Kurosawa, Kieślowski, o cinema argentino contemporâneo, entre outros. Também pude conhecer muitas pérolas escondidas, como os filmes de Lindsay Anderson, que fez algumas películas com Malcolm McDowell (Alex, de Laranja Mecânica).
Um desses filmes foi “O Lucky Man”, de 1973.
O filme por si só é fantástico. McDowell deu show na atuação e os toques de surrealismo no roteiro deram uma graça a mais à produção.
Mas o que me chamou mesmo a atenção foi a trilha sonora, que não é só pano de fundo para as filmagens, mas está inserida na trama do filme.
Fiquei extasiado após ver esse filme há alguns anos e, pesquisando sobre a trilha, descobri que o responsável foi Alan Price (tecladista do Animals e um dos primeiros a usar um hammond em música pop).
Resumo da ópera: tenho ouvido muito o disco da trilha desde que vi o filme e esse é o presente de domingo que deixo para você.
=)
Estou experimentando gravar uns vídeos direto do meu telefone.
O primeiro teste é um cover singelo de Jealous Guy, de Lennon.
POST: 2015-03-08T18:57:55-03:00
Ansioso demais pelo disco novo do Talma&Gadelha.
Bem que poderia vazar antes no Deezer…
A chatice indie/hipster dos últimos tempos tem levado muita gente a contrair Síndrome da Carne de Vaca e encarar com má vontade muita coisa louvável na música brasileira, simplesmente por ser pop.
É óbvio que escolhi o exemplo menos pop do Skank para ilustrar a minha ideia, mas esse é um dos meus discos nacionais favoritos da década passada.
Samuel Rosa inspiradíssimo e cantando demais, parcerias com Lô Borges e Nando Reis, além do saudoso Tom Capone na produção.
Deixe a pose hipster de lado e aperte o play.
Ninando a pequena com Kind of Blue. Tiro e queda!
Ingresso comprado pro show de Paul! Uhuu!
No vídeo, uma pequena surpresa que Chico fez para ele na gravação de “Carioca”.
Jorge Helder, baixista classudo que já tocou com Ivan Lins, Chico e Caetano vai estar em Natal, em outubro, na Semana da Música 2011.
No vídeo, uma pequena surpresa que Chico fez para ele na gravação de “Carioca”: t.co/fDiljBv Momento bacana!
Downloads para todos
Há alguns meses venho relutando contra a lerdeza do eMule e a instabilidade do Soulseek. Para a minha sorte, tenho baixado muita coisa legal por outros meios.
Há cerca de um mês recebi um convite para participar de uma comunidade excelente de troca de arquivos por meio de torrents (clique aqui) se não souber sobre o que estou falando), o Brasil Share. Na página da comunidade você encontra apenas os links que apontam para os arquivos que estão nos computadores dos usuários. A política de transferência que eles adotam é bem interessante e justa. Para continuar no grupo, os integrantes têm que compartilhar pelo menos a mesma quantidade que baixaram. Se você baixou dois filmes que juntos somam 2 GB, terá que compartilhar os mesmos 2 GB. Já peguei muita coisa boa. Nas últimas duas semanas baixei a 1ª temporada completa de ROMA (série recentemente exibida pela HBO) e os 5 primeiros episódios de Star Wars, além de alguns episódios de Lost. O único porém é que os cadastros só podem ser feitos por membros da comunidade. Se tiver algum conhecido com convite disponível, implore por um que vale à pena.
De tão empolgado com as possibilidades que o Brasil Share oferece, diminuí um pouco o ritmo de downloads de músicas. Mas, com a descoberta dos blogs de MP3, suponho estar voltando à mania de colecionar discografias completas de artistas com os quais me identifico.
A partir do momento em que as grandes gravadoras se valeram de recursos jurídicos para tentar conter os prejuízos causados com a difusão dos arquivos MP3s e similares, proibindo o funcionamento de sistemas como o Napster, uma ótima solução para quem não quer se privar das benesses dos downloads de músicas, são os blogs de MP3. Os usuários desses blogs aproveitam os serviços gratuitos de armazenamento de arquivos como o Mega Upload e o Radid Share, transformam em MP3 os seu antigos e raros LP’s – em alguns casos CD’s – e postam em suas páginas os links para o bem-bom.
Seguem abaixo alguns links para bons blogs de MP3 que já encontrei:
- BR Instrumental - Discos de música instrumental brasileira.
- Brazilian Nuggets - Blog dedicado à pouco conhecida psicodelia brasileira. Álbuns raros dos anos 60 e 70.
- BR Music For All - Álbuns raros ou pouco difundidos no Brasil.
- Acesso Raro - Discos raros em LP e CD.
Aproveite!
Apelo às notinhas
Um dos grandes problemas com o qual sempre tive que lidar para manter os meus blogs é o fato de eu ter uma dificuldade enorme de síntese. Não me contento em escrever poucas linhas sobre determinado assunto, sabendo que poderia ir além não fossem as circunstâncias de sempre, tais quais falta de tempo e preguiça. Na maioria das vezes ocorre de eu abandonar projetos de posts pela metade. Portanto, sempre que me aparecerem fatos que mereçam destaque aqui no blog, mas não necessitem de um texto muito extenso, estarei me valendo do velho artifício das notinhas. Aí vão as primeiras. Espero que funcione.
- A lista dos convocados para a Copa do Mundo me satisfez. Só faria apenas duas alterações: tiraria Ricardinho, dando chance a Alex e colocaria Junior no lugar de Gilberto, para ser o reserva de Roberto Carlos na lateral esquerda.
- O Discoteca Básica é, com certeza, um dos melhores sites de música do país. Lá, Ricardo Schott resenha discos dos mais variados artistas e segmentos. Com um rico conhecimento de bastidores e estórias da música, Ricardo dá uma aula a cada post. Só para constar, Schott esteve em Natal no ano passado cobrindo o Festival DoSol. Eu já devia ter indicado esse site antes mas nunca me lembrava.
- Os meus planos de a qualquer momento me mudar para São Paulo com a banda podem ficar menos concretos depois do novo ataque do PCC. O negócio está tão brabo que as empresas de ônibus acabaram de anunciar que não haverá frota para amanhã. Imagina o caos que será uma cidade com 20 milhões de habitantes sem um ônibus sequer nas ruas.
- Tom Yorke, vocalista do Radiohead, vai lançar um disco solo em julho desse ano. Ótima notícia! Ainda esse ano deve sair o novo álbum da banda, fato que desmente – pelo menos à primeira vista – os boatos em torno do provável fim da banda com a investida de Yorke em trabalho solo.
- Se tudo correr como programado, ainda esse ano estarei seguindo os passos do carinha do Radiohead. Gravarei um disco só com canções minhas que penso não se encaixarem no trabalho do SeuZé. Se é cedo para isso, não sei. O fato é que não quero deixar de fazê-lo enquanto tenho condições. Qualquer novidade, com certeza trarei para cá.
- Jenny Wren, canção do último álbum de Paul McCartney, é uma das mais belas que ouvi em minha vida. Se tiver como, ouça essa música.
- Sugestões musicais: God Only Knows (Beach Boys), Jenny Wren (Paul McCartney), Itacimirim (A Cor do Som).