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Stanley Kubrick foi mesmo um diretor diferenciado, para não dizer o melhor.
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No início desse ano decidi assistir filmes com uma metodologia. Procurei fazer, no meu lidar com o cinema, o mesmo que costumo fazer ao ouvir música. Quando cedi definitivamente aos benefícios da música digital e à possibilidade de conseguir discografias completas do mesmo artista sem desembolsar um vintém para tal, criei o hábito de só fazer o download de uma música se puder também baixar o restante do disco. Assim consigo situar a canção num contexto e não ouço de uma maneira alheia à idéia que os artistas se propõem a passar com os álbuns. Pelo menos penso que é assim.
Por analogia, decidi que faria o mesmo com o cinema. Não assistiria só um filme, mas toda a filmografia dos diretores que mais me chamam a atenção. Foi assim que pude constatar de maneira prática a genialidade de Stanley Kubrick. Não é papo de fã incondicional. Todos os seus filmes são acima da média mesmo estando longe de serem conceituais. Não é nada fácil situar qualquer de suas obras em um único gênero. “O Iluminado” é somente um suspense? “2001, Uma Odisséia no Espaço” e “Inteligência Artificial” são somente filmes de ficção? Há duas semanas atrás consegui finalmente assistir a “Barry Lindon”. Era o que faltava para eu acreditar de uma vez por todas que Kubrick foi o diretor com o maior número de filmes excepcionais. Antes de começar a ver a filmografia completa de outro diretor (Quentin Tarantino ou Francis Ford Coppola), vou rever todos os filmes de Kubrick, agora em ordem de produção. -
Ter um home studio está entre os meus objetivos para o próximo ano. A possibilidade de registrar as minhas canções na minha própria casa com uma qualidade apresentável sempre me seduziu. Desde que percebi que podia gravar o som do meu violão desafinado através do microfone do PC, me aventuro por essas praias. Entretanto, os limites que o meu computador impõe não me permitem ir muito longe. Ora, uma máquina com 64 MB de memória RAM, processador de 500 MHz e HD de 20 GB pedindo arrego, em dezembro de 2004, é uma vergonha tecnológica. Anteontem fui à casa de Marlos Ápyus para gravar o baixo da pré-produção do 2° disco da Experiência Ápyus. Foi mesmo uma experiência interessante. Em pouco mais de uma hora e meia, sem muita burocracia, concluímos o trabalho. O resultado está disponível para download em: www.apyus.com/demo. Saí de lá satisfeitíssimo e com muita vontade de ter um bom PC com uma placar de som legal. Se eu continuar no estágio ou com alguma fonte de renda fixa, no próximo ano pretendo fazer um upgrade no meu computador.
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The Beatles é realmente a maior banda de todos os tempos. Acho que toda pessoa, em algum momento da sua vida morre de paixão pelo quarteto de Liverpoo. Seja uma canção, um disco ou apenas os lindos rostos do “fab four” no início de carreira. Desde o ano passado, quando redescobri os vinis, estou tendo um maior contato com a música da banda. Tenho ouvido exaustivamente todos os álbuns e constatei que o impressionante é a quantidade de músicas excepcionais por álbum. No momento estou apaixonado pelo disco branco. Conhecido pelo público geral como “White Álbum”, na verdade o disco se chama “The Beatles”. Motivo: o conflito de ego entre os integrantes chegou a um ponto que não houve consenso nem para o nome nem para a arte da capa do álbum. O produtor foi categórico. Decidiu que o álbum se chamaria “The Beatles” e teria a capa completamente branca. Inclusive o caráter duplo do disco também foi resultante do conflito de ego entre os caras. Todos queriam que as suas canções entrassem no setlist. A solução foi gravar um duplo.
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História musical de um jovem orelhudo e olherudo. Parte 7
O baixo que eu havia tomado emprestado era meio desprovido de beleza, mas tinha um sonzinho até legal. Mas o mesmo problema que passei com a guitarra, passaria com esse instrumento ligeiramente mais grave: a falta de um amplificador adequado. Mais uma vez, quem pagou o pato foi o meu velho aparelho de som 3x1 anteriormente danificado. (Danificado ainda está, mas através dele que ouço os meus vinis e CDs. Das três, uma.
Ou eu parei no tempo, ou sou pão duro demais, ou sou endinheirado de menos para fazer um upgrade no meu reprodutor sonoro. Fique à vontade para construir o seu próprio desfecho.
Assim, e em virtude da minha característica de empolgação e desempolgação por minuto, não tardou para que eu achasse aquilo tudo um saco. Não tentei mais que 3 semanas, abandonei o baixo e só voltaria a olhar para ele em algum dia de julho ou agosto de 1999, mais ou menos um ano depois.
Mais uma vez, Carlinhos foi o incentivador. Dizia estar montando uma banda e me queria como baixista. Contrariando uma idéia antiga – a de comprar um violino e um cavaquinho – há pouco tempo eu havia vendido a minha guitarra e comprado um bom violão Rampazzo. Não tinha vontade nem dinheiro para comprar um novo instrumento tão cedo. Assim, fiquei usando o baixo Gianinni Stratosonic emprestado por um bom tempo. Carlinhos sempre foi bem intencionado, mas, vez ou outra, aparecia com uma idéia meio fantasiosa. No primeiro ensaio da tal banda, nada de anormal (excetuando-se a anormal inabilidade dos músicos, evidentemente): um baterista, 2 guitarristas (um deles acumulando a função de vocalista) e 1 baixista. Não tardou, porém, para que o estado de anormalidade tomasse a cena. Com a entrada continuada de outros integrantes, a banda chegou à nada normal formação: 1 baterista, 1 baixista, 1 backing vocal, 3 guitarristas e 3 vocalistas (que tinham que disputar o posto com os guitarristas e o baixista).
Por sorte, ainda restava um pouco de normalidade em minha essência. Eu e Carlinhos decidimos dividir os 9 integrantes em duas bandas distintas. É lógico que os integrantes de uma delas não receberia mais ligações para ensaios e afins. A escolhida findou com a seguinte formação: eu (baixo/backing vocal), Carlinhos (bateria), Gustavo (guitarra/backing vocal), Fellipe Cesar (vocal/guitarra) e Joaquim (backing vocal/pandeirola). Estava fundada a formação inicial do República 5, e plantadas as sementes de muitos sonhos. Muitos.
História musical de um jovem orelhudo e olherudo - Parte 6
Conheci Carlinhos aos 7 anos de idade. A gente jogou muito futebol e brincou de "Comandos em Ação" juntos.
Pela vizinhança, não demorou para virarmos grandes amigos.
Nossos primeiros passos na música foram juntos. Pensamos que tocamos em uma banda de pagode, aos 16 anos. E a partir daí não nos separamos mais (que romântico...).
Quando decidi que iria vender minha guitarra para comprar um violino e um cavaquinho, ele foi o primeiro a tentar me convencer a não fazer isso. Tanto tentou que conseguiu.
Certo dia ele me ligou dizendo: "venha aqui em casa que eu tenho um presente para você". Não levei mais que 20 segundos para estar batendo na porta da casa dele (fato não tão impressionante, já que até hoje moramos a 50 metros de distância um do outro).
Chegando lá, e após seguir algumas instruções, fui até o quarto do cara com os olhos fechados. Ao abri-los, a grande surpresa: um contrabaixo elétrico Gianinni Stratosonic anos 80. No momento não entendi o que aquilo significava, e as conseqüências que aquele gesto traria.
Observando o meu sorriso e a minha cara de satisfação ele falou: "Esse baixo é do meu tio, mas está parado faz um bom tempo. Ele é seu até que você compre um".
Comecei a tentar aprender o instrumento, e ao contrário do que passei com o violão e com a guitarra, o desenvolvimento foi bem rápido.
Mas eu não estava feliz. Não estava gostando de tocar baixo.
Demorou para que eu deixasse de tocar o novo instrumento mais por obrigação do que por gosto.
Era algum mês de 1998, eu havia vendido minha guitarra e trocado meu violão. Minha barba estava começando a fechar e eu estava começando a gostar de aprender a tocar baixo.
História musical de um jovem orelhudo e olherudo - Parte 5
Definitivamente, tocar guitarra era o meu mais novo sonho. Como já tinha algumas manhas do violão, os primeiros passos no meu novo instrumento não foram lá tão complicados, para mim, evidentemente. Conforme já relatado em algum capítulo dessa saga, a minha família já estava começando a se acostumar com os meus quase afinados dedilhados no violão, mas uma guitarra elétrica, sem amplificador, plugada no som da sala, fala consideravelmente mais alto.
Quem me conhece bem, sabe que se houvesse uma frase para me resumir, essa seria: “Empolgação e desempolgação por minuto”. Não tardou para que eu me entediasse com isso tudo.
A guitarra era muito linda, mas a sonoridade não fazia jus à beleza. Minha família é muito cordial, mas a gritaria não fazia jus à gentileza.
Quando consegui finalmente estourar as caixas de som do meu velho aparelho 3 em 1 (que me serve até hoje, com as mesmas caixas estouradas), decidi que não queria mais aquela guitarra.
Havia um tempo a música clássica entrara na minha vida através de Beethoven e Bach. Ganhei do meu pai uma coletânea do gênero com 10 CD’s, e corri feito louco à procura de documentários e biografias sobre os gênios que me conquistaram. Seguindo o meu lema “empolgação e desempolgação por minuto”, estava eu decidido a comprar um violino e aprender a tocá-lo. Mais ou menos nessa época, fui apresentado aos fascínios do chorinho, pelo meu pai. Não tardou para que Jacob do Bandolin e Waldir Azevedo também entrassem para o hall dos meus mais novos ídolos. Não tardou também para eu inserisse o cavaquinho no hall dos meus mais novos sonhos de consumo. Estava mesmo decidido a me tornar o grande solista da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte e o maior nome do chorinho brasileiro no século XXI.
Eis que aparece um velho amigo para me salvar, ou não.
História musical de um jovem orelhudo e olherudo - Parte 4
Sempre fui muito mimado. Quando eu queria uma coisa, insistia até ganhar. Com a guitarra não foi diferente. Meu pai comeu o pão que o diabo amassou (e cagou) com essa história.
“Não precisa mais insistir. Você vai ganhar sua guitarra. Mas se ficar em recuperação, não ganha nem biloca”.
Infelizmente, a minha vida musical sempre esteve diretamente ligada aos estudos. Se eu ia bem na escola, tranqüilo. Caso contrário, nada de instrumentos.
Novembro de 1997. Finalmente havia eu enfrentado a 8ª série. Para o meu desespero (e sossego geral da vizinhança), havia ficado em recuperação em Ciências (a partir desse contato inicial, eu passei a odiar Química pelo resto da minha vida. Reza a lenda que não abri o livro da detestada matéria uma vez sequer no ano de vestibular) e sonho da guitarra estava adiado.
Insatisfeito e discretamente conformado, fui assistir a tal aula de Química. Lembro como hoje.
O professor, se chamava João Roberto. Gerente de banco, dizia ele que ensinava por hobby. Mesmo com toda a boça atestada na narrativa de suas últimas viagens ao redor do mundo, era um professor bom e honesto.
Chegando à primeira aula da recuperação - para variar atrasado – me deparei com João Roberto comentando a última prova: a que tinha me tirado do caminho da guitarra. Minha chateação era tamanha que não quis ver os comentários. Mas o professor, apesar de ensinar Química e ser botafoguense era sensato.
“Luis Felipe, olhe sua prova. Pode haver algum erro de correção”.
Meio sem vontade, segui os sábios conselhos. E não é que a minha prova havia sido corrigida de maneira errada. Não me lembro de números exatamente, mas era coisa de um ponto a menos. Exatamente a diferença que me faria passar.
Resolvido o mal entendido, nota corrigida na caderneta, dedo estirado para o resto da turma, voei para casa.
Não me importava se meu pai é a pessoa mais mal humorada do mundo na hora do almoço. Quando sentou na mesa, a primeira coisa que ouviu foi um:
“Me dê o dinheiro. Eu não fiquei em recuperação. Pode me dar minha guitarra”.
Explicado o sucedido, ele foi categórico. Me deu o dinheiro ali mesmo na hora, talvez mais interessado em me ver longe dali, do que pensando na minha felicidade musical.
Passei a tarde entediado sem achar o cara que me venderia o motivo dessa capação de porco. À noite finalmente eu o encontrei e feita a negociação voltei feliz para casa.
Mesmo sem uma qualidade sonora perfeita, a guitarra era mesmo linda. Uma Jennifer stratocaster anos 80, de cor vinho.
Meu pai jamais poderia imaginar a capação de gorila que aquela aquisição causaria. De fato, meus companheiros de lar já estavam acostumados com o som do meu quase afinado violão.
Mas uma guitarra elétrica sem amplificador, plugada no som da sala, falava um pouco mais alto que seu irmão acústico.