Sobre a falta de informações técnicas nos serviços de streaming

Hoje me considero bastante adaptado aos serviços de streaming como principal plataforma para ouvir música. Ainda que por puro fetichismo e apego sentimental eu ainda guarde alguns poucos CDs, e há pouco mais de 10 anos tenha ensaiado voltar a recorrer a LPs, realmente desapeguei das mídias físicas.

Mesmo assim sinto falta de um aspecto que costumava integrar os encartes dos discos, tanto digitais quanto analógicos: a ficha técnica das gravações.

Se à medida que fui formando o meu gosto musical, as letras contidas nos álbuns me eram indispensáveis, os créditos dos envolvidos na produção dos discos foram cada vez mais me interessando, sobretudo ao passo que eu começava a dar os meus primeiros passos na composição e na produção musical. Desde o Festival do Desconcerto, lançado em 2005 pelo SeuZé, faço questão de registrar e divulgar cada mínimo detalhe da produção dos discos em que estou envolvido: quem tocou cada instrumento em cada faixa, por exemplo.


Detalhe da ficha técnica do disco A Comédia Humana, lançado pelo SeuZé, em 2010.

Salvo um eventual saudosismo por discos de vinil ou vontades repentinas de ter toda a discografia de Caetano em CDs, estou bastante acostumado e satisfeito com a praticidade e custo-benefício do Spotify e Apple Music, serviços entre os quais costumo revezar. Outro aspecto que me prende ainda mais aos streamings de música é a integração com o Last.fm, essa maravilha da Internet que resiste bravamente, e que me permite praticar a obsessão em metrificar o que ouço ao longo do tempo. É como ter acesso à função “mais ouvidos” que o Spotify disponibiliza em dezembro, a qualquer momento e sem se restringir ao filtro do último ano.


Faixas e discos mais ouvidos por esse que escreve, nos últimos 180 dias, segundo o Last.fm

Entretanto, realmente sinto falta de que os serviços de streaming de música sejam mais ativos em solicitar essas informações das empresas que distribuem as obras dos artistas em suas plataformas. E não falo apenas do detalhamento dos intérpretes e instrumentistas que atuaram em determinado single ou disco, mas também de dados sobre os responsáveis pela gravação, mixagem e masterização de cada fonograma. Gostaria muito de poder fazer com a música que ouço, o que já faço a um tempo com os livros e filmes que consumo.

O Letterboxd, por exemplo, espécie de rede social dedicada ao cinema e serviço de compartilhamento de críticas sobre filmes, organiza o seu catálogo de uma forma que todos os envolvidos na produção de uma película têm os seus nomes clicáveis no aplicativo, com a possibilidade de se ver tudo em que já trabalharam. Dessa forma, ao assistir um filme específico cujos trabalhos de direção ou direção de fotografia me chamaram a atenção, por exemplo, posso facilmente acessar a filmografia dessas pessoas e descobrir com relativa facilidade como continuar explorando as suas obras.

Na falta de funcionalidades semelhantes no Spotify e similares, ou mesmo de aplicativos dedicados para esse fim, alguns livros acabam cumprindo essa função para mim.

Recentemente li Lado C: a trajetória de Caetano Veloso até a reinvenção com a bandaCê e foi através do excelente trabalho de pesquisa de Luiz Felipe Carneiro e Tito Guedes, que tive informações organizadas para explorar a carreira de Pedro Sá - que acompanhou Caetano como guitarrista e produtor nos discos Cê, Zii & Zie e Abraçaço.

O site Discos do Brasil é uma excelente iniciativa nesse sentido, mas depois de me acostumar com as funcionalidades do Letterboxd, faz muito sentido para mim poder acessar essas informações de créditos dos fonogramas diretamente no serviço de streaming que uso.

Aguardo ansioso para poder explorar, de forma descomplicada e com obsessão, as discografias - não apenas de compositores e intérpretes - mas também de técnicos de mixagem, masterização e produtores musicais.

Imaginando rostos

Nessa semana eu estava conversando com Márcia sobre como imaginávamos o rosto das pessoas por trás de um podcast que ouvimos, o Braincast. Ouço esse programa desde 2016, curioso como sou, eu já tinha ido buscar as feições dos braincasters em suas redes sociais. Foi divertido comparar as projeções de Márcia com as imagens reais que eu já havia memorizado.

Esse papo me fez lembrar de uma situação correlata: as imagens que evoco quando penso em algumas pessoas.

Quando imagino José Luis Borges, o rosto que me vem a mente é o de Hitchcock; ao pensar em Neruda me vêm as feições de Churchill. E a mais difícil de me desvencilhar: ao imaginar Jim Morrison, o rosto que me vem a mente é o de Val Kilmer, que interpreta o cantor do The Doors no filme de Oliver Stone.

Newton Navarro é universal


Parte da exposição de Azol, na Pinacoteca do Estado

Já há algum tempo eu tentava me organizar para ver a exposição "O Sertão Virou Mar", de Azol, que estava na Pinacoteca do Estado desde o final de maio. No último sábado, finalmente, aconteceu.

Além da exposição que mencionei acima, queria aproveitar a ida ao centro da cidade para fazer um pequeno tour com Nina pelo corredor cultural, já que a pequena está estudando sobre a História de Natal, na escola.

Algumas das obras que Azol estava expondo eram estritamente pintura e outras eram meio que fusões entre pintura e fotografia. No vídeo de apresentação da exposição, o artista explicava que os motivos e temas para as obras vieram de uma viagem que fez pelo interior do Rio Grande do Norte e de outros estados do Nordeste.

Mas não foi exatamente "O Sertão Virou Mar" que me causou uma forte impressão nessa ida ao Palácio Potengi. Além dessa mostra temporária, a Pinacoteca dispunha de duas exposições permanentes, um das quais com pinturas e esculturas de artistas norte-rio-grandenses. Saí daquela sala profundamente impactado com a obra exposta de Newton Navarro, que eu já conhecia de idas à própria Pinacoteca há vários anos, mas que dessa vez adquiriram um significado novo e forte.

Newton Navarro exposto na Pinacoteca do Estado

História da Arte, no Ensino Médio e na graduação em História foram, de maneira geral eurocêntricas demais e quando abordavam aspectos das artes plásticas brasileiras, não costumavam a ir muito além de breves apêndices sobre Tarsila do Amaral e Cândido Portinari, o que certamente contribuiu para a minha ignorância e/ou falta de curiosidade a respeito de outros artistas brasileiros e, também potiguares. Em relação à arte produzida no Rio Grande do Norte, além de me faltar repertório, eu tinha uma impressão ignorante e generalista de que o que se produzia por aqui não tinha qualidade suficiente para concorrer com o que era consagrado como nacional, fosse nas artes plásticas, música, teatro ou cinema.

Desde que comecei a me envolver com composição e produção musical, sobretudo após o início do SeuZé, em 2003, foi inevitável para mim pensar em como situar os projetos dos quais eu participava na discussão “artista nacional” x “artista local”. Esse era um debate bastante frequente na música naquele momento em que iniciativas como o Fora do Eixo e as dezenas de festivais independentes de música Brasil a fora, contribuíam para a descentralização dos olhares e ouvidos para o que estava sendo produzido no país.

Mas foi somente após assistir mas assídua e atentamente as montagens de grupos teatrais natalenses, especialmente dos Clowns de Shakespeare, que fui gradualmente me livrando desse complexo de viralata e construindo o entendimento de que não é necessário a validação de carimbo "nacional" para se atestar a qualidade de de expressões artísticas.

Essa última ida à Pinacoteca e, sobretudo, a força e personalidade da obra de Newton Navarro, fortaleceram ainda mais essa noção em mim.

Viagem Minas - Dia 02


Alienada Cervejaria, em Uberlândia

Escrevendo já em Uberlândia. Desembarcamos por aqui pouco antes do meio-dia. O Aeroporto da cidade é bem acanhado e tem dimensões que lembram o Augusto Severo antes da última reforma. Mas a primeira impressão da cidade foi oposta a essa. Mesmo já sabendo de antemão que a população daqui beira os 700.000 habitantes, o caminho até o apartamento de Gabriela e Raoni, onde ficaremos pelos próximos dias, revelou uma cidade maior e com uma estrutura urbana mais desenvolvida do que eu vinha projetando mentalmente.

Após deixar a bagagem, rumamos para o Centro da cidade, mas exatamente para o Sahtten, restaurante árabe tradicional da cidade, que serve por peso e cujos preparos me fizeram lembrar da Rotisseria Sírio-Libanesa, o popular Árabe do Largo, no Rio de Janeiro.

Agora à noite fomos conhecer a Alienada, uma cervejaria charmosa que também serve uns burguers bem bons. A temperatura ficou em torno dos 15º, mas nós, natalenses destemidos, optamos por ficar nas mesas da área externa.

Viagem Minas - Dia 01.2

Desembarcamos agora há pouco em BH. A GOL alterou o nosso vôo e teremos que dormir num hotel próximo daqui. Amanhã às 7h da manhã pegaremos um vôo para Guarulhos, e de lá para Uberlândia, nosso primeiro destino aqui em Minas.

Viagem Minas - Dia 01

Na sala de embarque do Aeroporto de São Gonçalo, vulgo de Natal, com destino a Minas Gerais. Nos próximos 14 dias eu, Márcia e Nina passaremos por Belo Horizonte, Uberlândia e Ouro Preto, com direito a uma visita ao Instituto Inhotim.

Na sala de embarque do Aeroporto de São Gonçalo, vulgo de Natal, com destino a Minas Gerais. Nos próximos 14 dias eu, Márcia e Nina passaremos por Belo Horizonte, Uberlândia e Ouro Preto, com direito a uma visita ao Instituto Inhotim.

Anyone watching Better Call Saul? 6/7 episodes of the first part of this new season and the thing still hasn’t started. In terms of pacing, I think this has been the worst season.